sábado, 25 de outubro de 2014

Olhares ardentes

     Jannet
     Eu te olho. Ah, você é a única parte boa da escola, amor. Você me olha de volta com seus olhos verdes profundos, e, de repente a aula de português nunca pareceu tão chata como agora. Seus olhos verdes penetram minha alma, e fazem meu estômago se revirar em minha barriga. Eu recebo uma mensagem sua: " Vc tem chocolate?". É a sua cara escrever algo assim, respondo: "Vai ter q merecer!", mesmo não tendo chocolate. Você responde: "Como?". Eu penso, e respondo: "Que tal um beijo?". Você não responde, e, por um segundo acho que exagerei. O sinal bate, e você me encontra na porta.
     - Pronta para me dar meu chocolate? - seus cabelos castanhos castanhos estavam bagunçados pelo vento. Então você me beija. Uau. Não tenho palavras para descrever o que eu senti.
   
     Mason
     Caramba! Isso foi o que eu senti! Eu esperava por esse momento há anos. E já cansei de esperar. Nos afastamos, e vejo que você cora. Seus olhos castanhos estavam me deixando louco, naquele momento, eu não ligava para sua bunda ou para seu peito, eu estava mais concentrado analisando seu olhar. Ah, aquele olhar.
     - Eu não tenho chocolate. - você admite, ainda corada.
     - Quer ser meu chocolate? - ok, eu admito, eu não poderia ter dito nada mais brega do que isso.
     - Meu Deus, acho melhor você nunca tentar contar piadas. - você ri da minha cara, mas eu não ligo, só quero sua presença, seu olhar, sua essência.
     - Você não respondeu a minha pergunta. - argumento.
     - Mason, eu adoraria ser seu chocolate. Meu Deus! Isso soou pior ainda! Acho melhor eu calar a boca! - eu rio, e a beijo novamente.
     - Depois da escola, eu quero que você vá embora comigo. - ofereço, pensando em como iria te contar.
     - O.k. - você responde e eu vou embora, me livrando do seu olhar hipnotizante.

     Jannet 
     Eu não sabia o que esperar daquela tarde. Será que você iria me levar a sorveteria? Ou a um restaurante? Mas quando chegamos, eu percebi que era melhor ainda! A praia. Você estendeu um pano para sentarmos sobre a areia, e eu coloquei o meu chapéu de praia (eu sempre o tinha na bolsa, só por precaução).
     - Gostou? - você pergunta, mas eu ainda estava sem palavras, então demorei alguns segundo para dizer:
     - É... é perfeito! - você parece gostar da resposta. Estava tudo perfeito, até que aconteceu. Meu mundo desmoronou.

     Mason
     É obvio que eu odiei te dar aquela noticia, mas, não poderíamos mais nos enganar. Eu iria para a França em um mês, e nunca mais voltaria. Ao ver a sua expressão, eu me arrependi por ter te afastado, me desculpe, eu não consegui me conter. Eu preciso de você. E sempre vou precisar!
     - Não é possível! Você não pode ficar?! - você pergunta, indignada.
     - Sinto muito, mas eu já tenho até um apartamento lá. Se eu não fosse, meu pais me matariam. Mas e você?  Não pode ir junto? Eu pago! - ofereço, esperançoso.
     - Não, minha mãe nunca deixaria! Ela nem te conhece! - você começa a chorar.
     - Ei, não chore - digo - ainda temos um mês. - como se isso mudasse algo, e, eu gostaria de te pedir desculpas por ter feito você passar por isso. E, hoje, um dia antes de eu ir para França, eu finalizo esta carta com um pedido, uma única coisa: uma foto do seus olhos, para eu nunca esquecer do que eu sentia, quando trocávamos nosso olhares ardentes. Adeus, Jannet.
Com amor,
Mason.

    Jannet
    Quando você me contou, eu pensei: será que nunca vou ser feliz? Mas, saiba que eu estava enganada. Eu agradeço á Deus pelo nosso mês, eu não quero me despedir, mas termino esta carta que estou escrevendo um dia antes de você ir para a França: sou e serei grata todos os dias da minha vida pelo nosso mês, pois assim pude aproveitar a sensação (que eu até escrevi no meu diário para não esquecer) da troca de nossos olhares ardentes. Adeus, Mason.
Com amor,
Jannet

Nota do autor:
     Só lembrando que eles ainda não tinham recebido a carta um do outro quando estavam escrevendo isso.

The Writter

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