Na noite seguinte, Ronald recebeu de novo aquele beijo, mas, desta vez ele abriu os olhos, e viu uma figura preta, colocar algo em sua mesa. A figura foi embora. Ronald se levantou e viu que a figura tinha deixado um papel:
Ronald,
Não se esqueça, monstros também podem beijar!
Com amor,
BP
Ronald ficou confuso, como assim monstros também podem beijar? Que idiotice! E, quem diabos é ''BP''? A resposta estava atrás dele. Uma mão encostou em seu ombro, e Ronald gritou. Ao virar - se, ele estava de frente com uma criatura horrível. Suas roupas estavam rasgadas,e cheias de sangue,e seu rosto contava com um corte, que ia do olho da criatura até a boca, que também estava suja de sangue.
- Que.. Quem é você? - perguntou Ronald, assutado. A criatura pareceu analisa-lo, como se desejasse o torturar, assim como Ronald torturava gatinhos em seus sonhos.
- Eu sou seu salvador, e todos me conhecem como ''bicho-papão''. - Ronald se esforçou para não rir da resposta da criatura. Bicho-papão? Que besteira.
- É, e eu sou aquela gostosa da playboy. Me poupa, cara! Agora, onde você comprou essa fantasia? Que maneira! - zombou Ronald. A criatura se enfureceu.
- Cale a boca , mortal! Meu nome não é ''bicho-papão''! Meu nome é Ultra tortor*, em latim, mas, todos duvidavam da minha existência. Então me batizaram de ''bicho-papão'' para assustar as crianças. Vocês humanos são ridículos, são cegos. Não veem que toda a vez que alguém mata, que alguém tortura, eu estou lá, sussurrando no ouvido dos assassinos. E eu, pretendo tomar o lugar do próprio Diabo e iniciar uma nova era, onde todos se ajoelharão para mim! - para Ronald foi um discurso e tanto.
- Que clichê! Por que vocês sempre pensam monstros sempre do mesmo jeito? Seu plano é ridículo, apesar de eu ter gostado do discurso. Você não tem que tomar o lugar do Diabo, você tem que fazer ele se ajoelhar a você, e obedecer suas ordens. Assim você não suja as mãos e mesmo assim é reconhecido. - Ronald não sabia porque os monstros não conseguiam pensar direito. Ou será que eram só burros?
- Gostei da sua ideia, que tal se juntar a mim, mortal? Podemos formar uma nova era, onde seremos conhecidos e idolatrados. - ofereceu ''bicho-papão''. Ronald pensou por uns segundos...
- Não. Veja bem, papão, se eu aceitar sua oferta serei o primeiro ser humano a ser mau sem a sua ajuda, ou seja, eu vou amarelar. - Ronald realmente queria ir, mas sabia que se amarelasse na frente do ''papão'' sua vida estaria acabada.
- Agora, como eu mando você ir embora? - perguntou ele.
- Como você sabe que você pode me mandar embora? - questionou ''papão''.
- Eu não sabia. Eu chutei. E ai? Você vai embora ou não? - Ronald já estava se irritando. Ele estava perdendo horas de sono valiosas, mas, pensando bem, Ronald não estava com sono, ele não sentia nada.
- É só me imaginar indo embora. É assim que os exorcistas fazem. É simples, Ronald, os monstros não estão em baixo da sua cama, eles estão em um lugar bem pior, em sua cabeça. Você me liberou, e agora pode me prender de volta. - é, até que a explicação do ''papão'' fazia sentido. Ronald se concentrou, imaginou o papão se dissolvendo, até estar sozinho em seu quarto. Funcionou, até Ronald perceber que ele estava transparente. Ele não tinha fome, nem sede e nem sono. Ele havia morrido. E agora só era mais uma assombração, no meio de milhares. Uma alma condenada ao inferno.
E, no dia seguinte, lia-se nos jornais:
GAROTO É ENCONTRADO MORTO EM QUARTO.
A pele do garoto foi arrancada, e seu intestino foi espalhado pelo quarto, mas, o quê mais intriga os policiais é um resíduo de saliva encontrado na bochecha do garoto, que não pode ser examinada em laboratórios.
Os policiais responsáveis pelo caso dizem que não é saliva humana.
*Torturador do Além, em latim.
The Writter
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