sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Você tem medo do escuro? (Terror)

      Ronald estava sonhando com gatinhos. Ele os torturava e depois matava. Tudo bem, ele odiava gatos. Eram criaturinhas nojentas, que ficam se passando baba, além de serem antipáticos. Ele sentiu algo encostar em sua pele, mas não no sonho. Lábios, reconheceu o garoto. "Deve ser minha mãe me beijando" - pensou, e voltou a torturar os gatinhos nojentos.
     Na noite seguinte, Ronald recebeu de novo aquele beijo, mas, desta vez ele abriu os olhos, e viu uma figura preta, colocar algo em sua mesa. A figura foi embora. Ronald se levantou e viu que a figura tinha deixado um papel:

  Ronald,
Não se esqueça, monstros também podem beijar!
Com amor,
BP

     Ronald ficou confuso, como assim monstros também podem beijar? Que idiotice! E, quem diabos é ''BP''? A resposta estava atrás dele. Uma mão encostou em seu ombro, e Ronald gritou. Ao virar - se, ele estava de frente com uma criatura horrível. Suas roupas estavam rasgadas,e cheias de sangue,e seu rosto contava com um corte, que ia do olho da criatura até a boca, que também estava suja de sangue.
     - Que.. Quem é você? - perguntou Ronald, assutado. A criatura pareceu analisa-lo, como se desejasse o torturar, assim como Ronald torturava gatinhos em seus sonhos.
     - Eu sou seu salvador, e todos me conhecem como ''bicho-papão''. - Ronald se esforçou para não rir da resposta da criatura. Bicho-papão? Que besteira.
     - É, e eu sou aquela gostosa da playboy. Me poupa, cara! Agora, onde você comprou essa fantasia? Que maneira! - zombou Ronald. A criatura se enfureceu.
     - Cale a boca , mortal! Meu nome não é ''bicho-papão''! Meu nome é Ultra tortor*, em latim, mas, todos duvidavam da minha existência. Então me batizaram de ''bicho-papão'' para assustar as crianças. Vocês humanos são ridículos, são cegos. Não veem que toda a vez que alguém mata, que alguém tortura, eu estou lá, sussurrando no ouvido dos assassinos. E eu, pretendo tomar o lugar do próprio Diabo e iniciar uma nova era, onde todos se ajoelharão para mim! - para Ronald foi um discurso e tanto.
     - Que clichê! Por que vocês sempre pensam monstros sempre do mesmo jeito? Seu plano é ridículo, apesar de eu ter gostado do discurso. Você não tem que tomar o lugar do Diabo, você tem que fazer ele se ajoelhar a você, e obedecer suas ordens. Assim você não suja as mãos e mesmo assim é reconhecido. - Ronald não sabia porque os monstros não conseguiam pensar direito. Ou será que eram só burros?
     - Gostei da sua ideia, que tal se juntar a mim, mortal? Podemos formar uma nova era, onde seremos conhecidos e idolatrados. - ofereceu ''bicho-papão''. Ronald pensou por uns segundos...
     - Não. Veja bem, papão, se eu aceitar sua oferta serei o primeiro ser humano a ser mau sem a sua ajuda, ou seja, eu vou amarelar. - Ronald realmente queria ir, mas sabia que se amarelasse na frente do ''papão'' sua vida estaria acabada.
     - Agora, como eu mando você ir embora? - perguntou ele. 
     - Como você sabe que você pode me mandar embora? - questionou ''papão''.
     - Eu não sabia. Eu chutei. E ai? Você vai embora ou não? - Ronald já estava se irritando. Ele estava perdendo horas de sono valiosas, mas, pensando bem, Ronald não estava com sono, ele não sentia nada.
     - É só me imaginar indo embora. É assim que os exorcistas fazem. É simples, Ronald, os monstros não estão em baixo da sua cama, eles estão em um lugar bem pior, em sua cabeça. Você me liberou, e agora pode me prender de volta. - é, até que a explicação do ''papão'' fazia sentido. Ronald se concentrou, imaginou o papão se dissolvendo, até estar sozinho em seu quarto. Funcionou, até Ronald perceber que ele estava transparente. Ele não tinha fome, nem sede e nem sono. Ele havia morrido. E agora só era mais uma assombração, no meio de milhares. Uma alma condenada ao inferno.
     E, no dia seguinte, lia-se nos jornais:

GAROTO É ENCONTRADO MORTO EM QUARTO.

     A pele do garoto foi arrancada, e seu intestino foi espalhado pelo quarto, mas, o quê mais intriga os policiais é um resíduo de saliva encontrado na bochecha do garoto, que não pode ser examinada em laboratórios.
     Os policiais responsáveis pelo caso dizem que não é saliva humana.

*Torturador do Além, em latim.

The Writter

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