quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Sobre o peso do seu olhar

   Você me olha. Está me julgando, acha que sabe algo sobre mim. Eu não o culpo, não sou o que chamam de "normal", uso roupas pretas, não me aproximo. Não sei o que dizer... afinal, o que você quer ouvir?
   Você fala que quer ser meu amigo, e eu acredito, mas, no final, nós dois sabemos, nunca vamos ser amigos, afinal, quando você está lá com seus amigos, você nunca pensa em mim, em como eu estou me sentindo, não o culpo, sou invisível. E... quem sabe um dia você me chame para ir ao shopping com você e seus amigos, eu não me importo, pelo jeito, é hora de " ligar o foda-se". Você não se importa, portanto eu não vou me importar
   Ei, lembra daquele dia? Eu estava ouvindo minha musica preferida, sozinho no intervalo, sempre achei que estive melhor assim, e talvez eu esteja, mas, naquele dia foi diferente, você se aproximou, e nós conversamos, agora, já não consigo me lembrar do assunto, mas eu não me importo. Só me importa lembrar que eu não estava mais sozinho, pelo menos por poucos segundos.
   Eu não consigo mais, quero acabar com isso Como seria fácil cortar meus pulsos agora, um ultimo corte, em meio a tantos que percorriam o meu braço. Será que iria doer? Não interessa, seria dor para acabar a dor, irônico, não?
   - Por favor, pare! - você grita, eu assusto, pensando bem, talvez eu não devesse fazer isso no banheiro da escola... tanto faz, queria fazer isso longe dos meus pais, não quero que eles pensem que eles erraram, afinal, em meio de toda a escuridão, eles foram minha lanterna, mas, eu cansei de não enxergar tudo.
   - Saí daqui! - grito, mas minha voz sai trêmula, apesar de eu querer que ela soe forte.
   - Não. Meu Deus, seu braço... porque você não me falou? - questiona ele.
   - Você não se importa. E nunca vai se importar. - eu começo a chorar. Merda.
   - Eu me importo, e, para provar, eu sei que eu tenho que fazer isso. - então, ele toma o canivete da minha mão, e enfia em sua barriga. O sangue escorre por suas pernas e logo, uma poça de sangue se forma no chão. Ele cai.
    - É... eu nunca iria imaginar que no final você se importaria, mas agora não importa, idiota! Já é tarde demais. - então, retiro o canivete de suas mãos, geladas, ele estava morto, e logo, eu estaria. O canivete atravessou minha barriga, e, por um instante, a dor me dominou. Caio no chão, e minha visão escurece. Já não há mais nada para ver.

The Writter

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